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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

R$13 bilhões o que movimentam os edifícios sustentáveis no Brasil.

O mercado da construção sustentável tem passado ileso pelo desempenho errático da economia brasileira nos últimos anos. De acordo com um estudo realizado pela EY (antiga Ernst & Young), em 2012, os prédios verdes movimentaram R$ 13,6 bilhões no país.

A pesquisa, feita a pedido do GBC Brasil, braço local do americano Green Building Council, entidade que concede o selo Leed de construção sustentável, indica que o valor dos imóveis que reivindicam a certificação alcançou 8,3% do total do PIB total de edificações em 2012, que foi de R$ 163 bilhões.

De acordo com a consultoria, a demanda do consumidor por esse tipo de edifício e a crescente evidência de que eles conferem vantagens de mercado quantificáveis - que vão da economia de energia e corte de custos operacionais à valorização imobiliária – contribuem para a alta desse mercado.

“Percebemos que a certificação desperta interesse dos investidores, principalmente em empreendimentos comerciais de alto padrão”, diz Luiz Iamamoto, gerente sênior da EY.

Certificações

A pesquisa levou em conta projetos registrados para o selo Leed. Mas além das certificação americana, é possível pleitear o selo Aqua de construção sustentável, concedido pela Fundação Vanzolini.

Entre 2009 e 2012, o número de certificações de prédios segundo padrões ecológicos cresceu 412% no Brasil. São Paulo é o estado com mais edifícios certificados, seguido do Rio de Janeiro e do Paraná.

Infográfico mostra os números do mercado da construção sustentável no país.

Fonte: FEITEP

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Projeto-piloto de apartamento sustentável é anunciado pela GBC Brasil.


Foi apresentado pelo GBC Brasil o projeto-piloto de um apartamento sustentável na cidade de São Paulo. O projeto é o primeiro de um total de nove obras que compõem o Referencial Casa, cujo objetivo é criar parâmetros nacionais de sustentabilidade para residências unifamiliares ou multifamiliares

A partir desses parâmetros nacionais, serão levantadas diretrizes e melhores práticas para o desenvolvimento de um selo específico para este tipo de construção. Nos Estados Unidos, a certificação já é costume, realizada pelo GBC.

Para receber a certificação LEED, o duplex de 460 m² localizado no bairro dos Jardins, em São Paulo, está passando por uma grande reforma que abrange materiais, sistemas e automação.

Luminárias terão sensores de presença e controle remoto, assim como medição individualizada em todas as prumadas hidráulicas do apartamento. O ar-condicionado é do tipo inverter, com maior eficiência.

O acabamento tem materiais 100% certificados, como a madeira na marcenaria e o bambu nos pisos. Tintas e vernizes de baixo teor de VOC, além de cerâmicas e acabamentos específicos com conteúdo reciclado, também fazem parte da obra. Já a varanda conta com pisos porosos e vegetação nativa.

Visitação
O apartamento ficará aberto para visitação após a finalização da obra e, futuramente, será posto à venda pelos proprietários. Os outros oitos projetos-piloto do Referencial Casa são: Residência Sustentável de Brasília, em Brasília (DF), Residência Hilgert Silveira, em Viamão (RS), Vila Maresias, em São Sebastião (SP), Casas Doke, em Sumaré (SP), Casa Madagascar, em Brasília (DF), Casa da Chapada, na Chapada Guimarães (MT), Catuçaba Ecovila, em São Luiz do Paraitinga (SP), e Green Loft, em São Roque (SP).

Entenda como a certificação LEED funciona:  http://www.gbcbrasil.org.br/?p=certificacao

Fonte: FEITEP

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Resistência às eólicas cresce e setor tenta reagir


Os parques de energia eólica, uma fonte de energia limpa e barata, se espalham rapidamente pelo país. Mas a eletricidade gerada a partir do vento também começa a ser criticada por uma ala do setor de energia, que vê com preocupação a maior dependência em uma fonte de energia intermitente.
Sem vento, uma turbina eólica deixa de gerar energia repentinamente, risco que não existe com as termelétricas, que queimam gás, biomassa ou carvão de forma contínua. Mesmo com escassez de chuvas, uma hidrelétrica também não para de produzir energia abruptamente.

O sentimento antieólicas não aumenta apenas no Brasil, onde o governo passou a ser mais rigoroso com os empreendedores e fornecedores de equipamentos, a maior parte estrangeira. O movimento também é mundial. Tanto assim que a fabricante dinamarquesa de turbinas Vestas lançou neste mês uma campanha para combater o crescente lobby contra a indústria eólica na Austrália, um dos países onde a resistência ao setor é forte.

No Brasil, o presidente da Renova, Mathias Becker, também demonstra preocupação. O executivo afirma que o segmento é vítima de preconceito e que pretende conversar mais com vários representantes do setor de energia para desfazer algumas ideias, a seu ver, "equivocadas", como a percepção de que a eólica seria uma fonte menos confiável que a hidráulica.

É muito mais fácil ventar que chover, diz Becker. A ocorrência de precipitações depende de uma combinação de variáveis meteorológicas bem mais específica, o que faz com que as chuvas também sejam mais imprevisíveis. Os ventos também são mais contínuos. Com isso, a energia gerada por um parque varia menos que a produção de uma hidrelétrica sem reservatório, como as usinas mais novas.

Controlada pela Light/Cemig, pelo Fundo Infrabrasil, focado em infraestrutura, e pela RR Participações, dos empresários Renato Amaral e Ricardo Delneri, a Renova é a maior geradora de energia eólica do país, com mais de mil MW de capacidade instalada. 

Uma das medidas que causou neste ano indignação entre os empresários do setor foi a exclusão das eólicas do leilão de energia nova, que será realizado no dia 29 de agosto. Serão licitadas no certame usinas a carvão, uma das fontes mais poluentes, além de térmicas a gás e biomassa e hidrelétricas. Os contratos firmados no leilão passarão a valer a partir de janeiro de 2018. 
As eólicas serão licitadas em um leilão específico de energia de reserva, no dia 23 de agosto. Mas os projetos terão de estar prontos em dois anos, tempo bem mais curto que os cinco anos que as térmicas a carvão e a gás terão para concluir suas obras. "Queremos competir com o carvão. Somos contra essa proibição", afirma Becker.

Segundo ele, os dois anos de prazo para conclusão dos parques não são triviais e trazem várias consequências para os empreendedores e fornecedores, que precisarão montar uma operação de "guerra". "Não se trata de má vontade, é um problema físico", diz Becker, referindo-se às dificuldades que serão enfrentadas ao longo da cadeia de abastecimento. E os fornecedores certamente repassarão esse empenho aos preços, dizem os empreendedores.

Os obstáculos, porém, não tiraram o apetite dos investidores. A Renova inscreveu para o leilão 500 MW de parques eólicos na Bahia. Outra eólica, a Bioenergy, também afirma ter inscrito 500 MW. Ao todo, foram cadastrados 655 projetos, que somam uma capacidade instalada de 16 mil MW, o maior volume já inscrito até hoje.

Mas, desse total, é esperado que apenas uma pequena parcela seja de fato comercializada no leilão, algo entre 2 mil MW e 3 mil MW. O volume negociado dependerá do preço teto, que ainda não foi estabelecido.
Além do prazo exíguo para a construção dos empreendimentos, o governo aumentou as exigências para os fabricantes, obrigando-os a produzir no país os três componentes: torre, máquina e pás. Os fabricantes que não cumprem com os índices de nacionalização nessas três etapas foram excluídos da linhas de financiamento do BNDES. As mesmas exigências não são feitas para outros setores, queixa-se Becker. 
Sobre a abertura de capital da CPFL Renováveis, Becker responde: "Nunca torci tanto por um concorrente". A chegada de uma segunda empresa do setor na bolsa dará mais visibilidade e mais parâmetros para os investidores, diz o executivo.

A Renova fez sua estreia na bolsa em julho 2010 e, por enquanto, vem se saindo bem melhor que outras elétricas. Neste mês, enquanto o Índice de Energia Elétrica (IEE) da Bovespa acumula uma desvalorização de 12,5%, as ações da companhia subiram 0,58%. Em 2013, os papéis da geradora valorizaram 25%, enquanto o IEE recuou 13,3%.
FONTE: FEITEP

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Ar-comprimido armazena energias renováveis em rochas subterrâneas



Armazenamento de energias renováveis

Há poucos dias, um inventor apresentou uma solução inusitada para armazenar energia solar e eólica no fundo do mar - depois de convertê-las para o bombeamento de água, criando uma hidrelétrica submersa.

Agora a proposta é usar o mesmo princípio, mas para bombear ar-comprimido para rochas porosas centenas de metros abaixo da superfície.

Segundo Steve Knudsen, do Laboratório Nacional Noroeste do Pacífico, nos Estados Unidos, cada ocorrência de rochas porosas subterrâneas pode armazenar energia suficiente para abastecer até 85.000 casas.

Depósitos subterrâneos de energia na forma de ar-comprimido podem ajudar a aproveitar a energia eólica noturna, quando os ventos são mais fortes e a demanda de energia é baixa - guardando-a para quando a demanda é alta e o vento é mais fraco.

O mesmo raciocínio vale para a energia solar.

Segundo o engenheiro, essas usinas podem passar rapidamente do modo de armazenamento para o modo de geração de eletricidade, o que as torna adequadas para equilibrar o fornecimento à rede de energia de acordo com as condições variáveis do vento.

Quando o vento é forte, os geradores eólicos ou solares transformam sua energia em eletricidade, que alimenta grandes compressores que enviam ar ou gás natural para a camada de rochas porosas subterrâneas, onde eles são armazenados sob alta pressão.

Quando a energia é necessária, o gás comprimido flui de volta para a superfície, onde é aquecido ou queimado, gerando eletricidade através de turbinas.

Os cálculos indicam que a eficiência do processo é de até 80% - a taxa com que a eletricidade usada para alimentar os compressores é recuperada mais tarde.


Armazenamento de ar-comprimido em rochas

Já existem duas plantas experimentais de armazenamento de energia a ar-comprimido no mundo, uma nos EUA e outra na Alemanha, mas ambas usam cavernas construídas artificialmente em minas de sal. Uma terceira, com foco também em armazenar ar-comprimido em um tipo de rocha chamado arenito, ainda não conseguiu financiamento para virar realidade.

Knudsen quer ampliar esse conceito, usando ocorrências naturais de vários tipos de rochas porosas.

Para verificar a viabilidade da ideia, a equipe foi procurar possíveis locais de armazenamento, que precisavam atender a três critérios: estar a pelo menos 500 metros de profundidade, ter no mínimo 10 metros de espessura, e estar próximo às linhas de transmissão de alta tensão.

Mesmo pesquisando uma região pequena - um planalto que possui uma grossa camada de basalto, uma rocha de origem vulcânica - foram encontradas duas áreas potenciais.

E, por sorte, uma delas está associada com fontes de energia termal, que pode dispensar o gás natural e usar o calor da Terra para aquecer ar comum, tornando a operação ainda mais viável.

FONTE: FEITEP

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Metrópole sustentável na Ásia irá custar menos que Copa do Mundo 2014.




Cidades do futuro

Iskandar Malásia - este é nome da primeira "metrópole inteligente" do sudeste asiático.

A cidade está sendo construída com fundações firmes em princípios de integração social, baixas emissões de carbono, economia verde, tecnologias verdes, sustentabilidade e todos os demais conceitos relacionados com uma nova economia mundial.

Mas será que o caminho é realmente investir em cidades? Parece que sim, desde que sejam cidades concebidas em novos formatos.

As Nações Unidas estimam que a população humana passará dos atuais 7 bilhões para 9 bilhões até 2050 - e mais de 6 bilhões vão viver em ambientes urbanos, um número que é quase o dobro de hoje.

Esse aumento exigirá a construção de uma cidade de 1 milhão de habitantes a cada semana até 2050, segundo cálculos dos especialistas.

Além disso, o estresse ambiental causado por esse intenso crescimento urbano será imenso - mais de 70% das emissões de CO2 hoje se relacionam com as necessidades das cidades.

É por isso que especialistas internacionais afirmam que Iskandar e outros empreendimentos do tipo são modelos para o desenvolvimento urbano sobretudo nos países emergentes, com populações que crescem a taxas mais altas.


Opções para o futuro

E dinheiro para isso também parece não faltar.

Iskandar já se mostrou um poderoso ímã para o investimento privado, incluindo enormes estúdios da Pinewood Films, o primeiro parque temático Legoland da Ásia, e campi remotos de diversas universidades ocidentais, incluindo Universidade Newcastle do Reino Unido, Universidade de Southampton e Marlborough College, todas localizadas na "edu-city" de 140 hectares.

De 2006, quando o projeto foi iniciado, até junho de 2012, Iskandar atraiu US$ 31,2 bilhões em investimentos, 38% dos quais vindos de fontes estrangeiras.

Isso é menos do que custará a Copa do Mundo de 2014 no Brasil.

A diferença é que, em vez de consumo de recursos públicos e estádios sem utilização, a cidade de Iskandar deverá ter um PIB de US$ 93,3 bilhões em 2025, um aumento de 465% em relação a 2005, antes do início do projeto - um PIB per capita de US$ 31.100 dólares.

Além da "metrópole inteligente" de Iskandar, a Malásia está criando "aldeias inteligentes" e "eco-cidades", constituídas de casas a preços acessíveis, instalações educacionais, de formação e de lazer de alta tecnologia e um sistema agrícola criativo, em circuito fechado, proporcionando alimentos e renda suplementar aos moradores das pequenas cidades.
FONTE: FEITEP

segunda-feira, 25 de março de 2013

Bairro finlandês é exemplo de inteligência urbana.



Está em andamento um projeto pioneiro na região de Kalasatama, em Helsínquia, Finlândia. O objetivo é criar uma rede elétrica inteligente, apoiada em normas industriais, que possa apoiar um sistema elétrico estável, seguro, eficiente e sustentável do ponto de vista ambiental.

Esta rede, por sua vez, vai garantir que o excesso de energia proveniente das próprias fontes renováveis na região – como painéis solares ou turbinas eólicas – possa ser interligadas na rede elétrica. Assim, os clientes poderão interagir com o operador da rede e com o mercado da eletricidade, reduzindo os picos de procura e aumentando a eficiência.

O projeto-piloto teve início no ano de 2010, quando foram postas em andamentos e testadas as últimas soluções de redes inteligentes em Kalasatama, tal como a rede de média tensão em anel fechado – a primeira deste tipo no mundo. Esta tecnologia pioneira foi concebida para garantir distribuição e uso eficiente da eletricidade.

Na rede em anel, a eletricidade é fornecida de forma contínua a partir de duas direções, com proteções separadas em cada seção. Isto implica que, em caso de falha, a seção correspondente fica instantaneamente isolada e a energia continua a fluir sem interrupções em direção às secções sem avaria. Isto, em conjunto com as subestações controladas remotamente, reduz a duração dos cortes de tensão, por exemplo.

Agora, por outro lado, o sistema de armazenamento de energia com capacidade superior a 1 MW será ligado à subestação que está atualmente a ser construída em Kalasatama. Este sistema controla ativamente a frequência e fornece energia instantânea, caso se verifique uma falha de alta tensão, até que os geradores de reserva entrem em funcionamento.

No âmbito do projeto, serão construídas habitações para 18 mil pessoas e criados cerca de 10 mil postos de trabalho até 2030. O objetivo é desenvolver o distrito de modo a que se torne um exemplo de cidade inteligente, demonstrando que um sistema de energias renováveis eólicas e solares pode suportar ambientes urbanos em contínua expansão.

Vejam as imagens do projeto piloto:













quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

O equilíbrio entre o desenvolvimento e o meio ambiente.



A construção civil é responsável pelo consumo de até 50% dos recursos naturais extraídos e de 40% de toda a energia produzida. Qual o desafio do engenheiro da atualidade? Como se disciplinar para empregar técnicas e materiais mais sustentáveis desde a elaboração do projeto à sua especificação e instalação? 

Para se ter uma ideia, informações da Comunidade Europeia, divulgadas pela Associação Nacional de Arquitetura Bioecológica (Anab), revelam alguns dos impactos das atividades da construção civil no meio ambiente e, consequentemente, na qualidade de vida da população, entre eles, poluição urbana, emprego de produtos cada vez mais sintéticos à base de substâncias petroquímicas tóxicas; uso exorbitante dos recursos naturais, como água e derivados de petróleo; consumo maciço de energia de origem fóssil; e poluição atmosférica com consequências para o efeito estufa.

No Brasil, o cenário não é diferente. A construção civil é responsável pelo consumo de 40% dos recursos naturais, de 50% da energia elétrica, de 55% de toda a madeira produzida não certificada, por 67% da massa total de resíduos sólidos urbanos e por 50% do volume total de resíduos produzido.

Tendo em vista estes dados, fica evidente que as decisões tomadas pela cadeia da construção, envolvendo engenharia civil, elétrica, hidráulica, arquitetura e automação devem ser mais criteriosas e apresentarem uma postura de responsabilidade ética sob o ponto de vista humano e ambiental.

Conforme manifesta a Anab em um dos artigos publicados em sua página na internet, “construir de maneira sustentável impõe a todos os envolvidos, do projetista ao usuário, do administrador público ao empresário, do produtor ao varejista, um forte empenho ético e um profissionalismo adequado”.

Sobre esta temática trata a reportagem que se segue, que apurou que uma construção sustentável implica a adesão de comportamento, técnica e escolhas voltadas para as práticas sustentáveis e que devem passar por todas as fases do ambiente construído, desde o planejamento e elaboração do projeto até a sua construção, instalação e eventual demolição. Os engenheiros já estão inseridos nesta realidade e preparados para construir mais usando menos?

Construções sustentáveis

É ultrapassado dizer que sustentabilidade é uma tendência. A preocupação com processos e práticas sustentáveis é condição primordial para o desenvolvimento. E este conceito está cada vez mais presente no dia a dia de qualquer pessoa. Basta observar os novos hábitos da população, que está usando mais a bicicleta e as sacolas ecológicas. Além disso, os novos condomínios residenciais, ou mesmo comerciais, passaram a usar as características que priorizam a conservação ambiental como argumentos de venda. Muitos já utilizam aquecimento solar (inclusive, por força de Lei) e já existem, ainda que em pouca quantidade, projetos que preveem o uso de energia fotovoltaica e eólica e pontos para carregamento de veículos elétricos e híbridos.

Os novos edifícios já vêm se utilizando da tecnologia disponível e da mentalidade ecológica que aos poucos ganham todos os setores da economia para melhor utilizar a água, a energia elétrica, por meio de técnicas de tratamento da água ou de coleta da água da chuva, da instalação de aquecimento solar, do uso de geradores a gás natural, do aproveitamento da luz natural, entre outras medidas, como reciclagem do lixo e redução da emissão de gases de efeito estufa.

A construção sustentável dá seus primeiros passos no Brasil, mas, nos dias de hoje, especialistas entendem que esta é uma ferramenta que deve ser adotada por qualquer empresa que deseje continuar existindo. “Não haverá mais lugar para empresas poluentes, que degradam e exploram o meio ambiente, que não aperfeiçoam os seus fluxos de produção e que não oferecem condições de trabalho justas”, afirmou a arquiteta Daniela Corcuera em seu artigo “Produção de empreendimentos sustentáveis”.

Segundo a arquiteta, muitos construtores, engenheiros e arquitetos não entenderam que esta é uma necessidade do planeta e encaram o assunto como modismo, ficando à margem da sustentabilidade. “Muito provavelmente, construções sustentáveis não irão reverter de imediato os prejuízos causados pelo homem ao meio ambiente, mas contribuirão para não piorar o quadro. Construções sustentáveis dão aos seus usuários mais autonomia, pois não dependem tanto dos sistemas públicos de abastecimento de água e energia, não sobrecarregam estes sistemas e podem funcionar de forma autônoma, mesmo diante de uma pane na rede pública”, justifica.

Integração das engenharias

Presente em todos os setores da economia, a sustentabilidade está inserida – e não haveria de ser diferente – em todos os campos da engenharia. Com a experiência de ter trabalhado durante cinco anos com projetos sustentáveis em metodologias de Certificação LEED®, Procel e AQUA nos empreendimentos do mercado imobiliário, o gerente de energia e sistemas prediais do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE), Eduardo Yamada, entende que existem, basicamente, quatro premissas básicas que devem ser consideradas no desenvolvimento de um projeto de engenharia:

(1) evitar e eliminar desperdícios;
(2) otimizar a eficiência dos sistemas;
(3) aproveitar os recursos naturais disponíveis;
(4) recuperar insumos e fontes.

A partir das premissas apresentadas ficam mais claras, para o engenheiro, quais as principais preocupações visando à sustentabilidade e à eficiência energética dos projetos. “No caso dos elétricos, analisando o primeiro princípio, “Evitar e eliminar desperdícios”, entendemos, por exemplo, porque o LEED® e o Procel impõem a aplicação de sistema de iluminação com desligamento automático em função da ocupação. Entendemos, também, porque o LEED® obriga a ter menos queda de tensão (perda de tensão ao longo da distribuição de energia) nos trechos de maior passagem de corrente (circuitos alimentadores), induzindo o projetista a criar subestações transformadoras próximas aos grandes centros de carga. E o mais interessante é que, analogamente aos exemplos dos projetos elétricos citados, podemos aplicar essa e as outras premissas nos demais projetos de sistemas prediais (ar condicionado, hidráulico, luminotécnico, elevadores, etc.)”, explica Yamada, que também é professor do curso de “Eficiência Energética nos Empreendimentos” organizado pela Poli-Integra e pela Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE).

Nesse sentido, os fornecedores de materiais para construção e instalação também estão atentos a colocar no mercado produtos com maior comprometimento ambiental, o que vem ajudando a baratear este tipo de edificação. Equipamentos com maior eficiência energética, produtos fabricados com materiais menos agressivos, reciclagens ou que emitem menos gases tóxicos quando queimados (como fios e cabos livres de halogênio) são exemplos de preocupações com o equilíbrio entre o desenvolvimento e a prudência com o meio ambiente.

Yamada sugere a implementação de soluções e especificações de sistemas e equipamentos com maior eficiência e rendimento possível, como lâmpadas com elevada eficiência luminosa (lm/W), luminárias eficientes com maior emissão de fluxo luminoso, motores elétricos de alto ou altíssimo rendimento (high ou premium efficiency), entre outras ações, que fazem parte da premissa “otimizar a eficiência energética”, mencionada anteriormente.

O engenheiro e mestre em eficiência energética, André Paro, coordenador da equipe de engenharia elétrica da Promon Engenharia, acrescenta que a escolha de equipamentos com selos de eficiência energética e de sistemas de controle de processo que levem em conta a economia de energia e menor pico de demanda são fundamentais nos projetos de hoje em dia.

Outra estratégia importante é usufruir dos recursos naturais disponíveis, implantando soluções que aproveitem fontes e recursos da natureza, reduzindo o consumo e a geração “artificial”, como: energia solar para aquecimento de água ou geração de energia elétrica por placas fotovoltaicas; a luz natural que ingressa nos ambientes para reduzir (dimerizar) a iluminação artificial das luminárias; a energia cinética dos ventos para geração elétrica (usinas eólicas); a geração de energia elétrica por fonte de calor solar através de turbinas a vapor (usinas solares); a energia geotérmica para gerar ou rejeitar calor; a energia mecânica de movimentação das ondas do mar para gerar elétrica, etc.

A quarta premissa, segundo o gerente do CTE, inclui soluções de sistemas que aproveitem a energia desperdiçada de outros sistemas ou equipamentos, reduzindo o consumo e a geração “artificial”, como sistema de recuperação de energia potencial e cinética da frenagem dos elevadores para a geração de energia elétrica; sistemas de cogeração com o aproveitamento de energia térmica dos geradores elétricos para geração de energia térmica de aquecimento ou resfriamento, entre outros. “Por conta disso, as soluções e as tecnologias que envolvam aproveitamento de recursos naturais serão cada vez mais demandadas e valorizadas no mercado. As demais soluções que envolvam as outras três premissas tenderão a se tornar obrigatórias, por imposição de normas e leis, num curto espaço de tempo, já sendo mandatória em vários países”, prevê.

O professor associado da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, José Aquiles Grimoni, dá exemplo de outras técnicas que podem ser referenciadas como fruto dessa nova mentalidade voltada para práticas sustentáveis. Segundo ele, o uso de conceitos como "análise de ciclo de vida", que avalia um sistema ou equipamento desde seu berço até a sua desativação ou disposição final, analisando os processo e seus rejeitos e custos associados, é uma tendência a ser incorporada no cotidiano do engenheiro. “Outro conceito está associado aos chamados ‘custos completos’, que levam em conta custos técnicos, econômicos, sociais e ambientais para comparar alternativas de solução de problemas ou de projetos”, aponta.

O engenheiro Carlos Zink, responsável por atividades ligadas à sustentabilidade da Promon Engenharia, comenta sobre a importância de o profissional ter uma bagagem mínima de conhecimento para julgar como suas decisões impactam o ecossistema (ambiental e social) do produto que está sendo concebido. “Ele deve ser capaz de identificar e tratar impactos durante todo seu ciclo de vida, do berço (extração de matéria prima) ao túmulo (destinação final / reciclo) e deve ser capaz de avaliar informações sobre desempenho do componente e condicionantes sociais envolvidos, como, por exemplo, esforço durante a instalação, modos de uso e hábitos de usuários”, afirma.

André Paro complementa ao afirmar que o conceito de reduzir, reutilizar e reciclar pode também ser aplicado à engenharia elétrica, principalmente quando se tem a chance de ajudar o cliente na definição de iniciativas que ajudarão ao longo do ciclo de vida da instalação, e não somente na economia de capital na implantação.

Se o engenheiro vai se acostumar a ter pensamentos sustentáveis e aplicá-los em seus projetos é praticamente uma questão de sobrevivência no mercado que se configura nos dias de hoje. Para Eduardo Yamada, o engenheiro precisa abrir a mente para a nova realidade de mercado. “O engenheiro precisa sair da zona de conforto e do comodismo, achando que projetos de sistemas prediais devem ser feitos para atender às necessidades dos clientes e às normas técnicas somente. Ele precisa ter discernimento e bom senso técnico na escolha e na especificação dos fornecedores, entender os conceitos de sustentabilidade e aplicá-los nos projetos”, avalia.

Infelizmente, o que ainda acontece é que cada projetista desenvolve de forma individual e desintegrada sua competência, focando somente nas disciplinas envolvidas. “No caso do desenvolvimento de um projeto sustentável, essa sinergia tem que acontecer, pois é com ela que se obtém os benefícios de forma sistêmica requeridos nas metodologias”, alerta.

Segundo ele, muitos projetos não levam em consideração os estudos da arquitetura de fachada (envoltória), que têm influência direta sobre os projetos de ar condicionado, elétricos, luminotécnicos e de automação predial. “Caso a envoltória seja ineficiente, especificando, por exemplo, muita área transparente (janelas) ou volumetria mal orientada, os sistemas de ar condicionado e de iluminação deverão possuir eficiências elevadas, que, por consequência, acarretarão altos investimentos de tecnologias de automação predial, com o objetivo de compensar o consumo energético elevado originado pela grande parcela de carga térmica de insolação. Além disso, o aumento da demanda do sistema de ar condicionado resultará em aumento de custo de equipamentos, dispositivos e infraestrutura dos sistemas elétricos.

Mudança de paradigmas

A construção civil está efetivamente começando a demonstrar que está se adequando cada vez mais aos conceitos de sustentabilidade. Principalmente, os mais jovens estão começando a exigir de seus fornecedores uma postura mais correta em relação ao meio ambiente, desenvolvendo um dos maiores desafios corporativos deste milênio: o consumo consciente.

No sentido de formação, as escolas de engenharia têm trabalhado para inserir o tema na grade curricular. “As universidades têm introduzido em várias disciplinas estes conceitos aplicados a projetos de engenharia e desenvolvido análises de estudos de casos de projetos reais considerando esta abordagem”, informa o professor Aquiles, da Politécnica da USP.

A preparação do engenheiro do futuro passa pela formação multidisciplinar, buscando compreender a atuação de demais disciplinas envolvidas no projeto. Paro, da Promon, diz que a ligação dos saberes entre as carreiras da engenharia (química, mecânica, civil, materiais, produção e outras) é fundamental para que o eletricista saiba antever o que de mais eficiente poderá ser oferecido nos sistemas que dependem da eletricidade. “Sendo assim, deve buscar, mesmo que de forma extracurricular, conhecimentos mínimos, como por exemplo, o conceito do “triple bottom line” da sustentabilidade (ambiental, social e econômico)”, aconselha.

A realização de projetos integrados garante menor retrabalho e desperdício em fases de execução da obra. “Contudo, existem alguns empecilhos que dificultam sua execução como a multiplicidade de ferramentas utilizadas pelas diferentes disciplinas de engenharia, a descentralização de informação e a necessidade de maior esforço de gerenciamento de informação e coordenação técnica do projeto. Modelos eletrônicos em sistemas 3D e 4D auxiliam muito nesta tarefa”, finaliza Carlos Zink.

Estímulos às construções verdes

Diante do novo contexto global, que está exigindo das empresas e dos profissionais mais consideração pelos fatores ambientais como medida de equilíbrio para suas ações, algumas medidas foram criadas por organizações institucionais e pelo governo com o propósito de incentivar a prática sustentável em construções.

Um exemplo disso é a certificação Leed para construção sustentável, que, criada pelo U.S. Green Building Council (USGBC), chegou ao Brasil em 2007, e completa, neste ano, cinco anos de atuação no País.

O gerente técnico do Green Building Brasil, Marcos Casado, explica em um de seus artigos que, para receber a certificação, o empreendimento deve atender pré-requisitos e recomendações que avaliam o tipo de terreno, a localização, a infraestrutura local, o uso racional de água, eficiência energética, qualidade do ar interno, reciclagem e diversas outras medidas que garantam eficiência operacional ao usuário e preservação do meio ambiente, antes, durante e após a obra. “Todos estes critérios começam a impulsionar e a transformar o mercado da construção civil e têm se tornado uma importante ferramenta educacional e de comunicação com o consumidor, além de criar parâmetros de qualidade para o mercado”, escreveu.

Há menos de 50 dias do fim do ano, o Green Building Council Brasil comemora o crescimento do setor que superou a meta projetada no ano passado. “Enquanto em 2011, 17 edifícios receberam a certificação LEED, esse ano o número já é de 32. Outros 620 estão registrados no sistema e receberão o selo se comprovarem o atendimento a critérios como: eficiência energética; uso racional de água; qualidade ambiental interna; uso de materiais, tecnologias e recursos ambientalmente corretas entre outras ações que minimizem os impactos ao meio ambiente”, informa a instituição.

Com esse avanço, o Brasil mantém a posição de quarta nação no ranking mundial de empreendimentos LEED, atrás apenas dos Estados Unidos, com um total de 40.262 construções sustentáveis, seguido pela China, com 869, e o Emirados Árabes Unidos, com 767.

Outro exemplo é o Programa Nacional de Eficiência Energética em Edificações (Procel Edifica), instituído em 2003 pela Eletrobras/Procel, e que atua de forma conjunta com o Ministério de Minas e Energia, o Ministério das Cidades, as universidades, os centros de pesquisa e entidades das áreas governamental, tecnológica, econômica e de desenvolvimento, além do setor da construção civil.

A proposta do Procel Edifica é justamente ampliar as ações do Procel de maneira a incentivar a conservação e o uso eficiente dos recursos naturais (água, luz, ventilação etc.) nas edificações, reduzindo os desperdícios e os impactos sobre o meio ambiente.

Um dos grandes atrativos para a obtenção das certificações é a percepção de que o meio ambiente pode ser um parceiro dos empreendedores. Isso porque, segundo o Sindicato da Habitação (Secovi), os gastos com água são a segunda maior despesa dos condomínios, acompanhada de energia elétrica, a terceira maior. Nos empreendimentos que seguem o sistema de certificação, o consumo de energia é 30% menor, há também redução de até 50% no consumo de água, de até 80% nos resíduos e uma valorização de 10% a 20% no preço de revenda, além de redução média de 9% no custo de operação do empreendimento durante toda a sua vida útil.

Na opinião de Eduardo Yamada, as metodologias irão sempre valorizar, no mínimo, o bom projeto, a boa compatibilização e integração dos sistemas e a boa operação predial dos empreendimentos. Ele explica que a metodologia LEED® é um exemplo claro de visão sistêmatica da sustentabilidade na construção civil e mercado imibiliário, englobando avaliação, tanto para novos empreendimentos (edifícios corporativos, residências, áreas comerciais, bairros, hospitais,etc.) desde a fase de projetos e construção, como na preocupação do tema durante a operação, como na preocupação do tema durante a operação predial. O Procel valoriza os projetos na questão de eficiência energética. E existem, também, outras metodologias já em implementação no Brasil, como o AQUA e BREEM, que são análogos ao LEED. "De qualquer maneira, todos elas têm um objetivo e foco comum que é valorizar os melhores projetos, promovendo a eficiência e sustentabilidade durante toda a vida útil do empreendimento", conclui.

As certificações também ajudam a criar demandas de mercado, que aceleram a adoção das boas práticas de sustentabilidade. “A gestão da imagem ligada à marca das empresas é algo muito sensível à opinião popular, e isto acelera o amadurecimento da sustentabilidade, como em um mecanismo de feed-back positivo”, lembra Paro.

Uma nova possibilidade que temos agora no Brasil é a da viabilização da autogeração de energia elétrica para atender ao seu próprio consumo ou exportar para a rede elétrica por meio de sistemas de micro (até 100 kW) e minigeração (de 100 kW a 1 MW) de energia elétrica. Lembrada pelo professor Aquiles, a resolução 482/2012 estabelece as condições gerais para o acesso da geração distribuída (próxima ao local de consumo) à rede elétrica convencional. As regras são válidas para geradores que utilizarem fontes incentivadas de energia: hídrica, solar, biomassa, eólica e cogeração qualificada.

Pelo sistema, a unidade geradora instalada em uma residência, por exemplo, produzirá energia e o que não for consumido será injetado no sistema da distribuidora, que utilizará o crédito para abater o consumo dos meses subsequentes.

A Aneel promoveu audiência pública para discutir o texto da Resolução para deixar mais claros os seguintes pontos: definição da natureza jurídica do sistema de compensação de energia elétrica; possibilidade de uso dos créditos em outras unidades consumidoras sob a mesma titularidade da unidade onde esteja instalada a micro ou minigeração distribuída; explicação da dispensa de assinatura de contratos de conexão e uso na qualidade de geração para as unidades consumidoras que aderirem ao sistema de compensação; esclarecimento quanto à definição do termo “tarifas de energia” e alterações textuais de modo a deixar mais clara a ordem de compensação dos créditos de energia ativa. Os resultados ainda não haviam sido publicados até o fechamento desta edição.

Com isso, chega-se à conclusão que, embora o século 20 tenha trazido grandes aparatos tecnológicos, esse desenvolvimento veio acompanhado por uma conseqüência ecológica desastrosa. O nosso desafio, nesse sentido, é conciliar o desenvolvimento tecnológico com a preservação dos recursos naturais, garantindo o progresso, mas com práticas sustentáveis. Fazendo mais com menos. 

FONTE: Voltimum

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Tinta térmica pode substituir ar condicionado



A NASA desenvolveu uma tinta à base de água e microesferas ocas de vidro, capaz de reduzir a temperatura e o consumo de energia dentro das residências. Em alta no mercado internacional, a tinta térmica é a mais barata das soluções utilizadas nas obras de isolamento térmico.

O material pode ser aplicado em qualquer superfície, mas o efeito é intensificado quando é utilizada para revestir os telhados das construções, já que a parte superior recebe maior incidência dos raios solares. Os telhados revestidos com o material reduzem em até 60% o consumo de energia elétrica utilizado para refrigerar casas, prédios, indústrias e estabelecimentos comerciais.

No começo, os cientistas da NASA criaram a tinta térmica para ser aplicada em aeronaves, navios e tubulações, a fim de diminuir o calor dentro destas estruturas. Porém, a solução passou a ser comercializada em lojas de construção nos EUA e rapidamente se popularizou, já que a tinta térmica é mais barata e sustentável do que a espuma de poliuretano, material derivado do petróleo usado na maior parte das obras de isolamento térmico.

De acordo com Walter Crivelente Ferreira, diretor da empresa WC Isolamento Térmico, o revestimento pode até mesmo tomar o lugar do ar condicionado. “Se o local for bem ventilado, a sensação térmica no ambiente interno se torna agradável, sem precisar de ar condicionado”, garante o fornecedor do material.

Mesmo ganhando espaço cada vez maior no mercado, a tinta não é reconhecida para os projetos de revestimento térmico. De acordo com Crivelente, as licitações públicas ainda exigem o poliuretano nas obras. No entanto, as Nações Unidas estão elaborando um regulamento para adotar materiais de revestimento mais sustentáveis, sem data para ser entregue.

O diretor da empresa fornecedora acredita que o brasileiro deve aderir à novidade. “As vendas por aqui ainda vão crescer”, afirmou Crivelente, que leva o serviço para muitas indústrias. A nova tinta tem propriedades semelhantes às convencionais e custa a metade do preço das espumas de poliuretano. O efeito térmico dura cerca de cinco anos e a aplicação pode ser feita pelos proprietários.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Demolição silenciosa de arranha-céus gera energia no Japão.


Uma empresa de construção japonesa está a usar uma nova técnica para gerar energia ao demolir um arranha-céus em Tóquio, andar por andar, o processo é inédito. 

A Taisei Corporation está a utilizar uma técnica batizada de "Ecological Reproduction System" (Tecorep) para gradualmente ir fazendo baixar a gigantesca torre do Grand Prince Hotel Akasaka.

Quem observa diariamente a técnica fica incrédulo. O edifício, com 140 metros de altura, está agora com 110 metros. É um método com menos impacto ambiental quando comparado com os atuais métodos de demolição.

Imagem do interior da torre Grand Prince Hotel Akasaka
Primeiro, tudo é retirado do edifício, sendo que os andares de cima são isolados dos inferiores para minimizar possíveis estragos. Os andares de baixo vão sendo deitados por terra, um por um, começando pelo chão e retirando tudo o que é estrutural e cimento.

O material é transportado através de uma grua no interior do edifício que gera energia através do movimento. Essa energia acaba por ser usada para fornecer eletricidade a outros equipamentos envolvidos na demolição.

Todo o equipamento e estruturas do interior podem ser reutilizados, sendo a energia produzida 100 por cento limpa.

De acordo com a Taisei, que já andava a investigar novos métodos para demolir edifícios desde 2008, com esta nova tecnologia as emissões de carbono são reduzidas em 85 por cento, o ruído para entre 17 e 23 decibéis e os níveis de poeira em 90 por cento. Além disso, a demolição pode ser feita sem ter em conta as condições climáticas.

Assista uma parte da demolição do edifício em Tóquio AQUI.


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A era das lâmpadas incandescentes está chegando ao fim


   Uma das invenções mais importantes da história só poderá ser vista em museus dentro de alguns anos. A lâmpada incandescente, inventada por Thomas Edison em 1879, terá a venda proibida em diversos países do mundo até o final do ano. No Brasil, o banimento será gradual até 2017. O problema das incandescentes é o consumo de energia. Essas lâmpadas convertem só 5% da eletricidade consumida em luz — o restante é eliminado em forma de calor. Em um mundo cada dia mais preocupado com as questões de sustentabilidade e de redução de custos, não há mais espaço para um desperdício desse tamanho. O argumento pró-aposentadoria das incandescentes ganha força quando se examinam as opções disponíveis — e as novidades que estão a caminho. 

   De certa forma, chegou a vez de a iluminação ganhar destaque no que se convencionou chamar de eficiência energética. Um refrigerador hoje gasta metade da energia que um fabricado em 1993. Uma lâmpada de LED (sigla em inglês para diodo emissor de luz) gasta um décimo da energia de uma incandescente e dura muito mais, até 40 anos. Por enquanto, seu preço ainda é uma barreira. Nos Estados Unidos, custa, em média, 15 dólares, e no Brasil, 80 reais. Mas, segundo um estudo da consultoria americana McKinsey, isso não deve ficar assim por muito tempo. 

  A previsão é que os valores tenham uma queda de 30% ao ano até 2016. A McKinsey calcula que, dentro de oito anos, a tecnologia LED passará dos atuais 7% de participação no mercado mundial de iluminação para 50%. As novas lâmpadas, dessa forma, seguiriam o padrão de produtos com tecnologia de ponta. Na década de 50, com o início da popularização das TVs, as famílias americanas gastavam 10% de sua renda anual para comprar um aparelho. Hoje, o preço de um produto comparável equivale a 0,8% da renda. O que dá sustentação à ideia de que as lâmpadas mais eficientes vão se espalhar pelo mundo é o incentivo financeiro. Ao aderir, os consumidores gastam menos com energia. De acordo com estimativas, para cada tonelada de CO2 que uma empresa deixa de produzir ao trocar suas lâmpadas, há redução de 183 dólares por ano nos gastos com energia. 

  Nos cálculos do Departamento Nacional de Energia dos Estados Unidos, a troca de lâmpadas incandescentes por LED nas residências gera uma economia de até 50 dólares por ano. "O gasto com iluminação representa, em média, 20% do consumo mensal de energia de uma residência no Brasil", diz Gilberto Januzzi, professor de sistemas energéticos da Unicamp. "Com a troca de lâmpadas, pode cair para menos de 10%." Além das lâmpadas de LED, começam a aparecer alternativas nas prateleiras dos supermercados dos países ricos — e que, mesmo com atraso, devem chegar ao Brasil. A startup americana Switch acrescentou um sistema de resfriamento líquido às lâmpadas de LED. Lançada no início deste ano, a tecnologia faz com que elas durem mais de 20 anos. 


  Nos laboratórios da holandesa Philips dá para ter uma ideia de qual é a nova fronteira nesse segmento. Lá, bactérias bioluminescentes produzem luz processando restos de material orgânico, como o lixo. No Mas sachusetts Institute of Technology (MIT), o foco é fazer o LED absorver o calor do ambiente e convertê-lo em luz. "No futuro, apenas uma fração da energia que é utilizada pelos LEDs de hoje será necessária", diz Rajeev J. Ram, professor de engenharia elétrica no MIT. Nas últimas décadas, os eletrodomésticos ficaram mais eficientes em termos energéticos, mas, como milhões de novos consumidores tiveram acesso a eles, o consumo doméstico de eletricidade aumentou. 

  Caso pesquisas como as da Philips e do MIT tenham sucesso, as lâmpadas poderão quebrar esse padrão. Com um ganho brutal na eficiência energética, talvez seja possível levar luz ao 1,4 bilhão de pessoas que ainda vivem na escuridão — sem aumentar a conta e sem agredir o meio ambiente. 

AS LUZES DO FUTURO 
Uma nova geração de tecnologias oferece a mesma quantidade de luz gastando menos energia — e já há estudos de lâmpadas que funcionam sem depender da eletricidade.Veja mais detalhes aqui





quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Brasil entre os líderes em construção sustentável

O Brasil já ocupa a quarta posição no ranking mundial de construções sustentáveis, de acordo com o órgão internacional Green Building Coucil (US GBC). "Começa a despontar como um dos países líderes desse mercado, que vem crescendo muito nos últimos anos". informou o gerente técnico do GBC Brasil, Marcos Casado.

O primeiro prédio sustentável brasileiro foi registrado em 2004. O conceito começou a ganhar força, porém, a partir de 2007, informou Casado. De 2007 até abril de 2012, o Brasil registra um total de 526 empreendimentos sustentáveis, sendo 52 certificados e 474 em processo de certificação no US GBC. Até 2007, eram apenas oito projetos brasileiros certificados.

O ranking mundial é liderados pelos Estados Unidos, com um total de 40.262 construções sustentáveis, seguido da China, com 869, e os Emirados Árabes Unidos, com 767. Marcos Casado lembrou que. nos Estados Unidos, esse processo começou 15 anos antes do que no Brasil. "Eles já têm uma cultura toda transformada para isso e nós ainda estamos nessa etapa inicial de mudar a cultura e provar que é viável trabalhar em cima desse conceito na construção civil, que é um dos setores que mais causam impacto ao meio ambiente". 

Para Casado as construções sustentáveis são uma tendência mundial. "A gente tem hoje, só em certificação Leed (leadership in Energy and Environmental Design) no mundo, mais de 60 mil projetos. Então, é uma tendência muito grande e a gente percebe que esse número cresce a cada dia". Desde agosto do ano passado, vem sendo registrado pelo menos um projeto por dia útil no Brasil, buscando certificação. Marcos Casado estima que até o fim desde ano, o número de empreendimentos sustentáveis brasileiros em certificação alcance entre 650 e 700.

Prédios vedes.

Os chamados prédios verdes não têm, entretanto, nível de emissão zero de gás carbono. "Mas a gente reduz muito esses impactos", explicou o gerente. em vários países do mundo, neutralizam o carbono emitido. Essa tecnologia, entretanto, ainda não foi implantada no Brasil. "Acredito que, em breve, em cinco ou dez anos no máximo, a gente vai estar com esses edifícios também no Brasil".

Para os moradores de prédios sustentáveis, também há benefícios, declarou. "Para o usuário comercial ou residencial, a grande vantagem está no curso operacional, porque eu reduzo, em média, em 30% o consumo de energia, entre 30% e 50% o consumo de água, além de diminuir a geração de resíduos". O custo operacional fica, em média, entre 8% e 9% mais barato do que em um prédio convencional. Por isso, relatou Casado, os prédios sustentáveis são mais valorizados pelos construtores e apresentam preço mais alto. "A contrapartida vem no custo operacional. Acaba sendo mais barata a operação e ele equilibra esse custo financeiro".

O GBC Brasil está iniciando um trabalho com a Companhia de Desenvolvimento Urbano de São Paulo para incorporar o conceito de sustentabilidade também em construções populares. Cobertura verde, aproveitamento da água pluvial, aquecimento solar e aumento do pé direito para melhoria do conforto são alguns dos itens em estudos. "Isso acaba barateando o custo operacional".
FONTE:  Portal Brasil