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terça-feira, 10 de setembro de 2013

URUP: Método de escavação de túneis isento de poços de acesso.


A abertura de túneis viários pelo método não destrutivo ultra-rapid underpass (Urup) dispensa poços verticais para a máquina shield acessar a escavação. Com o Urup, a escavação começa e termina ao nível do solo: o shield é lançado na superfície, avança em uma curva vertical, percorre todo o subsolo escavando o túnel e atinge o ponto de chegada, no outro extremo, também ao nível da superfície.

Escavações com outros métodos não destrutivos (MNDs) já têm como característica a redução significativa da interferência em áreas urbanas por dispensar a abertura de valas. Os MNDs convencionais para abertura de túneis, entretanto, dependem da construção dos poços de acesso para a instalação e entrada de equipamentos de escavação.

Outra característica do método Urup, além de encurtar o tempo de abertura do túnel, é a redução da emissão de ruídos e de vibrações. A seção escavada do túnel pode, ainda, ser menor do que em outras técnicas, reduzindo a quantidade de solo escavado a ser dispensado. O Urup é uma técnica incipiente, criada no Japão. No Brasil, o método ainda não foi empregado em nenhuma obra. Confira alguns detalhes do procedimento.



1 Equipamento
Para a abertura de túneis com o método Urup é usado um shield chamado de Pressurized Tunnel Boring Machine (PTBM). As máquinas TBM são geralmente usadas em outros métodos não destrutivos de escavação de túneis viários e metroviários com acesso por poços verticais. Na abertura de um túnel na cidade de Kawajiri, no Japão, foi utilizado um shield de seção retangular - podem, ainda, ser usadas máquinas de seção circular, embora a seção retangular promova melhor aproveitamento da escavação. A PTBM pode utilizar cortadores laterais na parte frontal da máquina que, além do corte auxiliar, também atuam de anteparo contra a queda lateral do túnel durante a escavação. Esse recurso é utilizado conforme as condições do solo e do ambiente. A máquina é equipada com conjuntos de cabeças de corte superiores e inferiores, de modo que a parte superior pode seguir à frente da inferior para reduzir o impacto na superfície do solo. Cada cabeça de corte pode trabalhar de forma independente.

2 Lançamento
O shield é lançado a partir de uma base de apoio, de aço, disposta no ponto inicial da escavação, na superfície. A base acomoda o impulso do equipamento na partida da escavação. Se os cortadores laterais forem utilizados, a máquina já é lançada com esses elementos estendidos. A escavação pode contar, também, com injeção de lubrificante na parte superior da máquina para reduzir o atrito com o solo e diminuir a interferência. Enquanto a máquina estiver escavando na superfície, o controle é feito visualmente: é necessário que a área em que o solo é revolvido esteja exclusivamente à frente da escavação.

3 Escavação
O shield desce em uma curva vertical até atingir o ponto mais aprofundado da escavação e segue em nível - desde que, é claro, o projeto do túnel não preveja desníveis ao longo do percurso. A injeção de lubrificante pode ser feita durante todo o trecho de abertura do túnel. As técnicas e os sistemas usados para controle direcional durante a escavação são os mesmos utilizados nos MND convencionais: o uso articulado ou seletivo das cabeças de escavação se encarrega de garantir o direcionamento da frente de escavação.

4 Segmentos de concreto
O material excedente da escavação é retirado na medida em que o trabalho avança. Uma escavação com seção retangular e que atenda às dimensões do túnel produz menos material excedente e, portanto, um melhor aproveitamento do maciço escavado. Para construção do túnel, pode ser usado o procedimento de anéis de concreto - adotado em escavações TBM convencionais.

5 Finalização da escavação
A escavação é finalizada com a saída da máquina no nível do solo, em uma curva vertical ascendente. O procedimento é mais simples e menos crítico do que o lançamento da máquina. Nota-se a sublevação do solo quando o shield se aproxima da superfície.

Fonte: FEITEP

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O maior reator de fusão nuclear começa a ser montado.

Aqui serão montados os ímãs em forma de anel, capazes de conter a energia sem que o plasma toque nas paredes metálicas do reator. 

Fusão nuclear

O maior projeto para o desenvolvimento de uma fonte de energia por meio da fusão nuclear começará a ser montado para valer.

Terminadas as estruturas civis básicas, começaram a chegar os primeiros dos cerca de um milhão de componentes necessários para a construção do reator experimental.

Há vários projetos tentando dominar a energia das estrelas, mas o ITER (Reator Internacional Termonuclear Experimental) é o maior deles.

Após os problemas iniciais de projeto e dificuldades em coordenar um projeto internacional sem similares, agora há menos desconfiança quanto ao cumprimento do cronograma, que está dois anos atrasado.

Desde os anos 1950, a fusão nuclear oferece o sonho da energia praticamente inesgotável. O objetivo é recriar o processo que gera a energia do Sol, usando como combustível duas formas de hidrogênio, os isótopos deutério e trício, ou trítio.
Magnetos do campo poloidal do ITER. [Imagem: ITER]

Tokamak

O interesse no desenvolvimento desse tipo de processo se explica pelo uso de um combustível barato (os isótopos), pelo pouco resíduo radioativo que produz e pela não emissão de gases do efeito estufa.

Mas os desafios técnicos, tanto de lidar com um processo tão extremo quanto de projetar formas de extrair energia dele, sempre foram imensos.

De tão difícil de ser recriada artificialmente, críticos da ideia afirmam que a fusão nuclear "estará sempre 30 anos no futuro".

O reator do ITER pretende colocar isso à prova. De um tipo conhecido como "tokamak", o reator é baseado no JET, um projeto-piloto europeu, e prevê a criação de um plasma superaquecido, com temperaturas de até 200 milhões de graus Celsius, calor suficiente para forçar os átomos de deutério e trítio a se fundir e liberar energia.

O processo deverá ocorrer dentro de um enorme campo magnético em formato de anel - a única forma como um calor tão extremo ser contido.

O JET conseguiu realizar reações de fusão em pulsos muito curtos, mas o processo exigiu mais energia do que foi capaz de produzir.

No ITER, o reator está em uma escala muito maior e foi projetado para gerar dez vezes mais energia (500 MW) do que consumirá.

Reatores do futuro

O orçamento total do projeto é incerto e tem variado, para cima, ao longo dos anos - hoje as estimavas estão em €15 bilhões (cerca de R$ 45 bilhões).

Ainda que haja um cronograma bem definido para a entrega das peças mais importantes - algumas chegam a pesar 600 toneladas - , a divisão de sua fabricação entre os países membros provavelmente será motivo de novos atrasos.

Os planos atuais preveem os primeiros testes da fusão nuclear em 2020.

Partindo do pressuposto de que o ITER consiga realizar uma fusão que gere mais energia do que consome, o passo seguinte será a construção de um projeto de demonstração da nova tecnologia - o nome do ITER é "reator experimental".

Depois que o protótipo funcionar, então poderão ser feitas as especificações para a construção dos primeiros reatores de fusão nuclear comerciais - ou seja, a crítica dos críticos, de que a fusão nuclear está sempre 30 anos no futuro, parece bastante otimista.

A não ser que outros projetos em andamento tenham melhor sorte.

Fonte: FEITEP

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Fusão Nuclear: Energia das estrelas como alternativa para matriz energética mundial.



Fonte definitiva de energia

Em busca de uma alternativa para a matriz energética mundial, muitos cientistas acreditam que só a energia das estrelas pode representar um passo decisivo para a humanidade.

Às voltas com a sujeira e os riscos causados pela fissão nuclear, ainda debatendo se os biocombustíveis valem a pena ou não, o mundo se vê às voltas com uma matriz essencialmente baseada no petróleo e seus parentes próximos, o carvão e o gás natural.

Para achar uma saída desse beco, as duas únicas tecnologias com potencial disruptivo são a fotossíntese artificial e a fusão nuclear.

Os experimentos com folhas artificiais estão apenas começando. Mas o homem sonha em domar a fusão nuclear desde que Hans Bethe explicou de onde as estrelas tiravam tanta energia.

Tentativas de produzir a fusão nuclear

A primeira tentativa de produzir a fusão nuclear na Terra não é de boa lembrança: em 1º de Novembro de 1952, os Estados Unidos usaram uma bomba similar à usada em Hiroshima apenas para dar a ignição na primeira bomba de hidrogênio. Funcionou, mas a coisa se mostrou tão perigosamente descontrolada que o projeto foi deixado de lado.

O recorde mundial de fusão nuclear hoje pertence ao reator tokamak do JET (Joint European Torus), no Reino Unido. Com 15 metros de diâmetro e 12 metros de altura, ele consumiu 20 MW para produzir 16 MW - mas a fusão nuclear se sustentou por menos de 10 segundos.

Hoje, todos os esforços para bater esse recorde e gerar energia são pacíficos - ao menos os que se conhece. E os projetos de fusão nuclear não são mais exclusividade dos governos e suas universidades: já há empresas privadas trabalhando na área.

ITER

O maior desses esforços é o ITER, sigla em inglês de Reator Internacional Termonuclear Experimental, que começou a ser erguido em Cadarache, na França.

Com um investimento planejado de US$21 bilhões, o projeto pretende consumir 50 50 megawatts (MW) de energia para dar partida em uma produção de 500 MW. Em 2027, se tudo der certo.

O problema é que ninguém sabe se vai dar certo. Muitos físicos dizem que não vai funcionar. Outros afirmam que o ITER funcionará como um excelente laboratório de física, mas nunca será uma usina de geração de energia eficiente.

O ITER usará um reator do tipo tokamak, que usa um gigantesco campo magnético para confinar um plasma que deverá atingir uma temperatura de 45 milhões de graus Celsius para dar partida na fusão de deutério-trício.

Se funcionar, um quilograma (kg) de combustível de fusão vai gerar tanta energia quanto 10 milhões de kg de carvão.

Outro experimento já atingiu 25 milhões de graus Celsius, ainda abaixo do ponto de partida da fusão. Mas os projetistas do ITER confiam em seu 18 gigantescos ímãs supercondutores, cada um pesando 360 toneladas, para confinar uma quantidade de plasma suficiente para chegar lá.

Ignitor

O Ignitor é um projeto conjunto entre a Itália e a Rússia, bem menos ambicioso que o ITER.

O Ignitor será na verdade uma versão ampliada do Alcator C-Mod, desenvolvido pela equipe do professor Bruno Coppi, do MIT.

O reator, que está sendo erguido nas proximidades de Moscou, terá aproximadamente o dobro do tamanho do Alcator, com uma câmara principal em forma de anel com 1,3 metro de diâmetro - a câmara do ITER terá 6,2 metros de diâmetro.

O Alcator não nasceu para gerar energia, mas como um laboratório para estudar as estrelas.

Ao longo dos anos, os cientistas foram aprimorando seus detalhes técnicos, a ponto de atingirem um estágio no qual eles acreditam ser viável usar a tecnologia para produzir temperaturas suficientes para iniciar a fusão nuclear.

Como estão trabalhando em uma área desconhecida, os cientistas parecem mais interessados em trocar experiências do que em competir. Evgeny Velikhov, responsável pelo lado russo do projeto, também é membro do conselho do ITER.

Mas o Dr. Coppi não se cansa de dizer, entrevista após entrevista, que, mesmo que o Ignitor nunca gere mais energia do que consumir, ainda assim a astrofísica terá muito a ganhar com o experimento.

Stellarator

O tokamak não é o único caminho para tentar domar a fusão nuclear.

O projeto Wendelstein 7-X, do Instituto Max Planck, da Alemanha, está construindo um reator de fusão do tipo stellarator (ou estelarator) - ele será o maior do mundo desse tipo.

Um tokamak é alimentado por uma corrente de plasma. Essa corrente fornece uma parte do campo magnético responsável por isolar o próprio plasma das paredes do reator. O grande problema é evitar as "disrupções", as instabilidades do plasma circulante pelo torus.

Um reator do tipo stellarator não tem corrente, eliminando de pronto o problema das instabilidades do plasma. Esse tipo de reator tem um desenho esquisito, mas também tem seus próprios problemas, como uma tendência a perder energia.

Cada stellarator foge à sua própria maneira do tipo "clássico", fazendo modificações e otimizações que tentam coibir os defeitos o obter um funcionamento contínuo.

O Wendelstein 7-X terá 50 bobinas supercondutoras, medindo 3,5 metros de altura cada uma, para gerar o campo magnético primário. Para completar o sistema de contenção do plasma será usada uma camada adicional com 20 bobinas planares, colocadas sobre as primeiras, que terão o papel adicional de permitir o controle da intensidade do campo magnético.

O conjunto todo é contido dentro de uma estrutura de 16 metros de diâmetro. Uma usina de refrigeração fornecerá 5.000 Watts de hélio líquido para manter a supercondução dos fios que formam as bobinas.

O Wendelstein 7-X será um reator de pesquisa, sem intenção de produzir energia. Na verdade, a intenção é demonstrar a viabilidade da construção de uma usina de fusão nuclear usando um reator do tipo stellarator. Se tudo ocorrer segundo o cronograma, o reator deverá entrar em funcionamento em 2014.

Fusão nuclear com laser

O projeto europeu Hiper (sigla em inglês de Pesquisa de Energia Laser de Alta Potência) pretende atingir as altas temperaturas necessárias para iniciar a fusão nuclear usando um equipamento de raio laser do tamanho de um estádio de futebol.

Um laser de alta potência vai comprimir átomos de hidrogênio para conseguir uma densidade 30 vezes maior do que a do chumbo.

Um segundo laser vai aumentar a temperatura do hidrogênio comprimido acima dos 100 mihões de graus Celsius - ao menos é o que os cálculos indicam.

Nessas condições, os núcleos do hidrogênio deverão se fundir para formar hélio.

Iniciado em 2008, o Hiper é financiado pela Comissão Europeia e envolve 26 instituições de dez países.

Motor de fusão

Os cientistas da empresa privada Helion Energy são bem mais comedidos do que seus parceiros institucionais.

Seu reator de fusão nuclear é um equipamento cilíndrico de 16 metros de comprimento e pouco mais de um metro de diâmetro.

Chamado de "motor de fusão", o reator não usará supermagnetos supercondutores mantidos em temperaturas criogênicas: ele usará um processo conhecido como configuração de campo reverso.

Em vez de confinar o plasma em uma estrutura toroidal, como no tokamak, o motor de fusão vai acelerar duas pequenas bolas de plasma uma em direção à outra.

Manter o plasma isolado em um aparato linear é muito mais simples do que o formato toroidal, exigindo um campo magnético menos intenso e mais fácil de controlar. É por isso que o reator é tão menor do que seus concorrentes.

Se os cálculos estiverem corretos, a colisão deverá gerar calor suficiente para fundir os núcleos dos átomos, aquecê-los e iniciar a fusão de forma sustentada.

Como a fusão ocorre em um ponto determinado no espaço é mais fácil também recolher os nêutrons gerados. Os nêutrons são essenciais para gerar o combustível da fusão.

E, se eles escaparem, podem tornar radioativas as peças metálicas do equipamento com as quais entrarem em contato - isso acontecerá no ITER, que deverá trocar as partes internas do seu reator periodicamente.

O protótipo do motor de fusão atingiu uma temperatura de 25 milhões de graus Celsius, bem abaixo do necessário. Mas os cientistas calculam que a temperatura necessária será alcançada com um equipamento apenas três vezes maior.

A NASA e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos já investiram US$5 milhões na empresa, que agora está procurando parceiros privados para levantar mais US$20 milhões, necessários para construir a versão final do seu motor de fusão.

Fusão geral

A empresa canadense General Fusion está usando uma outra abordagem para tentar obter a fusão nuclear sustentada.

A técnica chama-se fusão de plasma magnetizado e consiste em iniciar a fusão em um plasma comprimido de forma intensa e rápida no interior de uma esfera giratória de metal líquido.

O reator funciona em ciclos sequenciais, com cada compressão do plasma magnetizado produzindo um "disparo" de energia gerada pela fusão.

São quatro ciclos: criação do plasma de deutério e trício, aprisionamento do plasma em um campo magnético, compressão do plasma magnetizado, gerando a fusão e, finalmente, captura do calor gerado pela fusão para uso em uma usina termoelétrica.

Os resultados ainda são modestos: segundo a empresa, o aparato produziu uma temperatura de 5 milhões de graus Celsius durante 1 microssegundo.

Mas a General Fusion tem mais dinheiro para construir versões maiores do seu reator: os US$30 milhões foram levantados entre investidores privados, entre os quais Jeff Bezos, da Amazon.

Fusão secreta

Há uma outra empresa privada na área, chamada Tri Alpha Energy, que não gosta de aparecer e nem divulga seus projetos, mas que aparentemente está usando um conceito criado pelos físicos Norman Rostoker e Hendrik Monkhorst.

A ideia é misturar hidrogênio e boro-11 em um plasma de alta temperatura para gerar a fusão.

O processo de confinamento usa a mesma configuração de campo reverso, mas aparentemente mantendo toda a energia de entrada dentro do reator - os elétrons do combustível seriam confinados eletrostaticamente e os íons seriam aprisionados magneticamente.

Os pesquisadores acreditam que, com o calor e a densidade adequadas, esses íons vão se fundir para liberar energia.

Recentemente circularam boatos de que a empresa teria levantado US$90 milhões, tendo entre seus investidores Paul Allen, cofundador da Microsoft. Mas as empresas de capital de risco apontadas nos boatos não listam a empresa em sua carteira de investimentos.

Em um artigo científico publicado em 2010, seus cientistas afirmam ter alcançado uma temperatura de 5 milhões de graus Celsius durante 2 milissegundos.

Já houve vários boatos sobre a iminência de um teste "no ano que vem", que ainda não aconteceu. Os mais otimistas opinam que uma versão comercial do reator Rostoker/Monkhorst - capaz de produzir mais energia do que consome - não sairá antes de 2020.

Fusão nuclear a frio

Há também propostas mais controversas para a fusão nuclear, embora não voltadas especificamente para a produção de energia.

A principal delas é a chamada fusão nuclear a frio, ou fusão de baixa energia, que mostra os indícios da fusão por meio dos nêutrons gerados no processo - pouquíssimos nêutrons, em comparação com os experimentos que pensam em gerar energia.

A ideia surgiu em 1989, quando Martin Fleishmann e Stanley Pons afirmaram ter verificado a fusão nuclear em uma célula eletrolítica. Mas nenhum outro grupo conseguiu reproduzir o experimento.

A esperança renasceu em 2009, quando Pamela Mosier-Boss e sua equipe modificaram ligeiramente a célula eletrolítica de Fleishmann e Pons e tiveram resultados animadores, ainda que frágeis demais para qualquer uso prático.

Mas a fusão nuclear a frio só voltou a ser levada a sério em 2010, quando a Sociedade Americana de Química promoveu um evento de dois dias exclusivamente para discutir o assunto. Deste o fiasco inicial, quem se atrevia a pesquisar a área preferia trabalhar em silêncio.

Foram mais 50 apresentações de experimentos que apresentaram resultados significativos, suficientes para colocar o assunto em pauta novamente. Mas ninguém sonha em usar a fusão a frio para geração de energia.

Fusão por cavitação

Pelo menos três grupos se envolveram em uma pretensa fusão nuclear em um equipamento de mesa, desde que Rusi Taleyarkhan e seus colegas do Laboratório Nacional Oak Ridge afirmaram ter conseguido iniciar a fusão pelo colapso de microbolhas.

Seth Putterman, da Universidade da Califórnia, fez uma demonstração semelhante em 2005, mas usando o aquecimento de um cristal em um ambiente de deutério. A produção de nêutrons, contudo, foi muito pequena, e os cientistas nunca chegaram a afirmar que a técnica seria útil para a geração de energia.

No mesmo ano, uma equipe da Universidade Purdue afirmou ter confirmado o experimento de Taleyarkhan, baseado na cavitação de microbolhas.

Contudo, depois da contestação de outros cientistas, a Universidade fez uma sindicância e concluiu que Yiban Xu e Adam Butt haviam falseado os resultados.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

O maior edifício da América do Sul.



Começaram as obras do Infinity Coast, considerado o maior edifício residencial da América do Sul. Projetado pelo arquiteto Andres Juan Bandeo, o empreendimento em Balneário Camburiú, Santa Catarina, terá 240 metros de altura e 66 andares, cada um com dois apartamentos de duas ou três suítes. A obra é inspirada em construções de Dubai.

Localizado em um terreno 4.500 m² na Barra Norte, na esquina das ruas Julieta Lins e Avenida Brasil, o edifício terá uma infraestrutura de resort com 23 itens, incluindo spas externos, mini golf, muro de escalada, cinema, pub Infinity, pomar, game station, wine bar e health club com academia, estúdio de pilates, sauna seca e úmida, sala de massagem e sala de descanso.

O projeto estrutural, desenvolvido pelo escritório Kálkulo de Curitiba, passou por acompanhamento da empresa britânica Building Research Establishment Ltd (BRE). A fundação adotada para a construção da torre é a de estaca escavada com polímero de diâmetro de 1,5 metros e 28 metros de profundidade, mais três estacas raiz com diâmetro de 12 polegadas. Essas três últimas estacas são embutidas na escavada e possui comprimento 10 metros maior do que a escavada. Tudo isso totaliza em média 38 metros de profundidade e 125 estacas de 1,50 metros cada.

Segundo o engenheiro responsável pelo projeto, André Capri Bigarella, a estrutura será feita com pilares de concreto e fechamento em parede de concreto em toda a periferia do prédio. A alvenaria será utilizada somente nas divisórias internas dos ambientes. "Todo o projeto é diferenciado, são 15 pilares de pavimento tipo com dimensão média de 40 centímetros de largura e seis metros de comprimento", explica.

Ainda segundo o engenheiro, entre os principais desafios da obra está a altura, que dificulta o transporte vertical de materiais e pessoas, a segurança do trabalho e o revestimento externo do edifício. Após a obra, no entanto, a altura do edifício será benéfica: a energia de descida dos quatro elevadores será armazenada e utilizada para iluminação das áreas comuns.

A previsão de entrega do Infinity Coast é no final de 2017.

Fonte: FEITEP

terça-feira, 16 de julho de 2013

Prouni: resultado da segunda chamada é divulgado pelo MEC

Programa oferece mais de 90 mil bolsas de estudo em instituições privadas



O resultado da segunda chamada do Programa Universidade para Todos (Prouni) pode ser consultado a partir desta terça-feira na internet, nas instituições participantes ou pela central de atendimento do Ministério da Educação (MEC), no 0800-616161. A lista de aprovados está disponível na página do programa.

Os candidatos pré-selecionados têm até o dia 22 de julho para comprovar nas instituições de ensino as informações dadas na ficha de inscrição, providenciar a matrícula e, se for o caso, participar de seleção própria da faculdade ou universidade. No site do Prouni é possível ver a lista da documentação necessária. Caso perca o prazo ou não comprove as informações necessárias, o estudante será reprovado.

O candidato que não foi pré-selecionado em nenhuma das duas chamadas poderá ainda participar da lista de espera. A adesão pode ser feita pelo site do Prouni entre os dias de 26 a 29 de julho. A lista será usada pelas instituições de ensino para convocação dos candidatos para preenchimento das bolsas eventualmente não ocupadas.

O Prouni oferece bolsas em instituições particulares de ensino superior. Nesta edição, são oferecidas 90.045 bolsas - dessas, 55.693 são integrais e 34.352, parciais, no valor de 50% da mensalidade. As bolsas integrais do Prouni são para os estudantes com renda bruta familiar, por pessoa, de até um salário mínimo e meio. As bolsas parciais são destinadas aos candidatos com renda bruta familiar de até três salários mínimos por pessoa. Nesta edição do programa, 436.941 candidatos fizeram a inscrição.

Fonte: Terra

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Metrópole sustentável na Ásia irá custar menos que Copa do Mundo 2014.




Cidades do futuro

Iskandar Malásia - este é nome da primeira "metrópole inteligente" do sudeste asiático.

A cidade está sendo construída com fundações firmes em princípios de integração social, baixas emissões de carbono, economia verde, tecnologias verdes, sustentabilidade e todos os demais conceitos relacionados com uma nova economia mundial.

Mas será que o caminho é realmente investir em cidades? Parece que sim, desde que sejam cidades concebidas em novos formatos.

As Nações Unidas estimam que a população humana passará dos atuais 7 bilhões para 9 bilhões até 2050 - e mais de 6 bilhões vão viver em ambientes urbanos, um número que é quase o dobro de hoje.

Esse aumento exigirá a construção de uma cidade de 1 milhão de habitantes a cada semana até 2050, segundo cálculos dos especialistas.

Além disso, o estresse ambiental causado por esse intenso crescimento urbano será imenso - mais de 70% das emissões de CO2 hoje se relacionam com as necessidades das cidades.

É por isso que especialistas internacionais afirmam que Iskandar e outros empreendimentos do tipo são modelos para o desenvolvimento urbano sobretudo nos países emergentes, com populações que crescem a taxas mais altas.


Opções para o futuro

E dinheiro para isso também parece não faltar.

Iskandar já se mostrou um poderoso ímã para o investimento privado, incluindo enormes estúdios da Pinewood Films, o primeiro parque temático Legoland da Ásia, e campi remotos de diversas universidades ocidentais, incluindo Universidade Newcastle do Reino Unido, Universidade de Southampton e Marlborough College, todas localizadas na "edu-city" de 140 hectares.

De 2006, quando o projeto foi iniciado, até junho de 2012, Iskandar atraiu US$ 31,2 bilhões em investimentos, 38% dos quais vindos de fontes estrangeiras.

Isso é menos do que custará a Copa do Mundo de 2014 no Brasil.

A diferença é que, em vez de consumo de recursos públicos e estádios sem utilização, a cidade de Iskandar deverá ter um PIB de US$ 93,3 bilhões em 2025, um aumento de 465% em relação a 2005, antes do início do projeto - um PIB per capita de US$ 31.100 dólares.

Além da "metrópole inteligente" de Iskandar, a Malásia está criando "aldeias inteligentes" e "eco-cidades", constituídas de casas a preços acessíveis, instalações educacionais, de formação e de lazer de alta tecnologia e um sistema agrícola criativo, em circuito fechado, proporcionando alimentos e renda suplementar aos moradores das pequenas cidades.
FONTE: FEITEP

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Começa esse mês a construção do maior edifício do mundo o Sky City.

O prédio mais alto do mundo vai começar a ser construído em junho na cidade de Changsha, na China. O edifício, desenvolvido pela empresa chinesa Broad Sustainable Construction (BSC), será considerado um modelo para a urbanização chinesa na verticalização de suas cidades. Apelidada de Sky City, a torre terá 838 metros de altura, 10 metros a mais do que o arranha-céu mais alto do mundo no momento, o Burj Khalifa, de Dubai.
A Sky City deverá se tornar o lar de 31 mil pessoas, com 202 andares que incluirão escritórios, um hotel com capacidade para mil pessoas, uma escola para 4600 alunos e até mesmo um hospital. O acesso será feito por 92 elevadores, escadas de 9,6 km e 17 heliportos.

Inicialmente, a BSC afirmava que iria construir a Sky City em 90 dias, até porque a estrutura será pré-fabricada. Mas as autoridades já atrasaram o projeto por estarem preocupadas com o impacto ambiental e com a segurança. Agora, estima-se que sua conclusão deva demorar sete meses.





FONTE: FEITEP

quinta-feira, 25 de abril de 2013

A eficácia de usar suspensão hidráulica ativa em coberturas.

Prédios com suspensão ativa


Em 2009, engenheiros da Universidade de Stuttgart, na Alemanha, apresentaram um conceito inovador de construção adaptativa, similar ao conceito de suspensão ativa dos automóveis.

Usando elementos estruturais inteligentes, eles propõem construir estruturas que possam se adaptar às condições ambientais.

Além disso, a proposta dessa construção inteligente é obter a capacidade máxima de carga com um consumo mínimo de materiais.

Estrutura adaptativa

Agora, com a colaboração de engenheiros da empresa Bosch, eles demonstraram na prática que seu conceito é viável, construindo uma estrutura que desafia os sonhos dos mais arrojados arquitetos.

Eles construíram uma concha de madeira que é muito mais fina do que qualquer coisa considerada possível até hoje.

Com uma espessura de apenas quatro centímetros, a cobertura se estende por uma superfície de mais de 100 metros quadrados.

A extrema finura da concha foi possível graças à utilização de uma estrutura adaptativa.

Cargas de pico

Na construção civil, as estruturas sempre foram concebidas para suportar uma tensão máxima muito precisa.

Esse tipo de estresse, no entanto, geralmente só ocorre muito raramente e apenas por um curto período.

Com isto, uma grande parte dos materiais de construção usados hoje serve apenas para suportar essas cargas de pico extremamente raras, o que faz com que elas sejam efetivamente necessárias apenas muito raramente.

O objetivo das estruturas ultraleves e adaptativas é alcançar uma economia drástica dos materiais sem perda da capacidade de suportar essas cargas de pico.

E, estruturalmente, há ainda outro benefício: a estrutura ganha uma capacidade de reação a cargas dinâmicas muito maior, o que é obtido através da manipulação ativa da estrutura.


A manipulação ativa da estrutura é obtida através de elementos hidráulicos instalados nos pontos de apoio da cobertura.


Suspensão Hidráulica


No caso da concha de madeira, esta manipulação ativa é obtida através de elementos hidráulicos instalados nos pontos de apoio da cobertura.

Esses elementos geram movimentos que compensam de maneira muito precisa as deformações e tensões dos materiais causadas pelo vento, chuva, neve ou outras cargas.

Sensores registram continuamente o estado de carga em vários pontos da estrutura, acionando automaticamente os movimentos para neutralizar as variações de carga, reduzindo assim as deformações e a tensão dos materiais.

Segundo os engenheiros, essa suspensão ativa para prédios poderá ser aplicada em muitas áreas da construção civil, como em coberturas de estádios, em edifícios de grande altura, em fachadas muito largas ou em pontes.

terça-feira, 19 de março de 2013

Inovação na Engenharia Civil constroem prédios "verdes"



Que tal morar numa floresta vertical? Até o final de 2013, um grupo de italianos sortudos vai saber exatamente qual é a sensação de viver no meio de tanto verde em pleno centro urbano de Milão. É que as obras no primeiro prédio do mundo a abrigar uma floresta vertical, o Bosco Verticali, estão em pleno vapor e com previsão de término ainda para este ano.

A firma de arquitetura Stefano Boeri divulgou imagens recentes do empreendimento, que é composto de duas torres, com 76 e 110 metros respectivamente. Nas fotos, árvores atravessam o céu de Milão, erguidas por guindastes, para pousar na varanda dos apartamentos.

Mais de 900 árvores vão ocupar as varandas das duas torres, ajudando a filtrar a poluição do ar e garantir um clima ameno no interior durante o verão.

Para evitar o desperdício e como prova de sua vocação ecológica, toda a irrigação da floresta vertical será feita com água de reuso. Sistemas da geração de energia eólica e fotovoltaica ajudarão a deixar o prédio ainda mais sustentável.

O projeto, no bairro de Isola, nasceu com a ideia de fazer frente ao crescimento urbano e a “cimentação” da cidade, que muitas vezes ignoram a necessidade de áreas verdes.

Segundo seus criadores, a utilização de áreas verticais é uma forma de reinserir a natureza na área urbana sem que seja preciso expandir o território da cidade.


terça-feira, 5 de março de 2013

Curso de Pós - Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho: Qual sua importância?


  A FEITEP - Faculdade de Engenharias oferece o curso de Pós- Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho, mas afinal, quem são esses profissionais? O que fazem? Onde atuam?


  A Engenharia de Segurança do trabalho é o ramo da engenharia responsável por prevenir riscos à saúde e à vida do trabalhador. O engenheiro de segurança do trabalho tem a função de assegurar que o trabalhador não corra risco de acidentes em sua atividade profissional, sejam eles danos físicos, sejam danos psicológicos. Esse profissional administra e fiscaliza a segurança no meio industrial, organiza programas de prevenção de acidentes, elabora planos de prevenção de riscos ambientais, faz inspeções e emite laudos técnicos. Assessora empresas em assuntos relativos à segurança e higiene do trabalho, examinando instalações e os materiais e processos de fabricação utilizados pelo trabalhador. Orienta a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) das companhias e dá instruções aos funcionários sobre o uso de equipamentos de proteção individual. Pode, ainda, ministrar palestras e treinamentos e implementar programas de meio ambiente e ecologia.

  Dados de 2009 do Ministério da Previdência mostram que o número de acidentes de trabalho no Brasil cresceu 86,5% entre 1999 e 2009, e o governo já declarou que a quantidade pode ser ainda maior. Para completar o cenário, a economia brasileira encontra-se em um momento de expansão, com produção industrial sólida em diversos setores. Mais companhias produzindo mais significa mais trabalhadores em atividade - o que, em princípio, pode aumentar o número de acidentes. "Qualquer tipo de empresa precisa do engenheiro de segurança no trabalho, especialmente aquelas que concentram maior risco à saúde dos funcionários", afirma o professor Luiz Felipe Silva, coordenador do curso da Unifei. Assim, companhias de áreas como siderurgia, mineração e metalurgia aquecem o mercado para esse profissional. O engenheiro encontra com facilidade emprego em empresas de médio e grande portes, que mantêm equipes para cuidar de assuntos relacionados à segurança. Como autônomo, pode prestar consultoria a empresas, elaborando laudos ergonômicos e avaliações de riscos físicos. Em todas as regiões do país existe demanda, mas o Sudeste, por reunir o maior número de grandes indústrias e companhias, concentra o maior número de vagas. 

  Salário inicia: R$ 3.270,00; fonte: Confea

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

O equilíbrio entre o desenvolvimento e o meio ambiente.



A construção civil é responsável pelo consumo de até 50% dos recursos naturais extraídos e de 40% de toda a energia produzida. Qual o desafio do engenheiro da atualidade? Como se disciplinar para empregar técnicas e materiais mais sustentáveis desde a elaboração do projeto à sua especificação e instalação? 

Para se ter uma ideia, informações da Comunidade Europeia, divulgadas pela Associação Nacional de Arquitetura Bioecológica (Anab), revelam alguns dos impactos das atividades da construção civil no meio ambiente e, consequentemente, na qualidade de vida da população, entre eles, poluição urbana, emprego de produtos cada vez mais sintéticos à base de substâncias petroquímicas tóxicas; uso exorbitante dos recursos naturais, como água e derivados de petróleo; consumo maciço de energia de origem fóssil; e poluição atmosférica com consequências para o efeito estufa.

No Brasil, o cenário não é diferente. A construção civil é responsável pelo consumo de 40% dos recursos naturais, de 50% da energia elétrica, de 55% de toda a madeira produzida não certificada, por 67% da massa total de resíduos sólidos urbanos e por 50% do volume total de resíduos produzido.

Tendo em vista estes dados, fica evidente que as decisões tomadas pela cadeia da construção, envolvendo engenharia civil, elétrica, hidráulica, arquitetura e automação devem ser mais criteriosas e apresentarem uma postura de responsabilidade ética sob o ponto de vista humano e ambiental.

Conforme manifesta a Anab em um dos artigos publicados em sua página na internet, “construir de maneira sustentável impõe a todos os envolvidos, do projetista ao usuário, do administrador público ao empresário, do produtor ao varejista, um forte empenho ético e um profissionalismo adequado”.

Sobre esta temática trata a reportagem que se segue, que apurou que uma construção sustentável implica a adesão de comportamento, técnica e escolhas voltadas para as práticas sustentáveis e que devem passar por todas as fases do ambiente construído, desde o planejamento e elaboração do projeto até a sua construção, instalação e eventual demolição. Os engenheiros já estão inseridos nesta realidade e preparados para construir mais usando menos?

Construções sustentáveis

É ultrapassado dizer que sustentabilidade é uma tendência. A preocupação com processos e práticas sustentáveis é condição primordial para o desenvolvimento. E este conceito está cada vez mais presente no dia a dia de qualquer pessoa. Basta observar os novos hábitos da população, que está usando mais a bicicleta e as sacolas ecológicas. Além disso, os novos condomínios residenciais, ou mesmo comerciais, passaram a usar as características que priorizam a conservação ambiental como argumentos de venda. Muitos já utilizam aquecimento solar (inclusive, por força de Lei) e já existem, ainda que em pouca quantidade, projetos que preveem o uso de energia fotovoltaica e eólica e pontos para carregamento de veículos elétricos e híbridos.

Os novos edifícios já vêm se utilizando da tecnologia disponível e da mentalidade ecológica que aos poucos ganham todos os setores da economia para melhor utilizar a água, a energia elétrica, por meio de técnicas de tratamento da água ou de coleta da água da chuva, da instalação de aquecimento solar, do uso de geradores a gás natural, do aproveitamento da luz natural, entre outras medidas, como reciclagem do lixo e redução da emissão de gases de efeito estufa.

A construção sustentável dá seus primeiros passos no Brasil, mas, nos dias de hoje, especialistas entendem que esta é uma ferramenta que deve ser adotada por qualquer empresa que deseje continuar existindo. “Não haverá mais lugar para empresas poluentes, que degradam e exploram o meio ambiente, que não aperfeiçoam os seus fluxos de produção e que não oferecem condições de trabalho justas”, afirmou a arquiteta Daniela Corcuera em seu artigo “Produção de empreendimentos sustentáveis”.

Segundo a arquiteta, muitos construtores, engenheiros e arquitetos não entenderam que esta é uma necessidade do planeta e encaram o assunto como modismo, ficando à margem da sustentabilidade. “Muito provavelmente, construções sustentáveis não irão reverter de imediato os prejuízos causados pelo homem ao meio ambiente, mas contribuirão para não piorar o quadro. Construções sustentáveis dão aos seus usuários mais autonomia, pois não dependem tanto dos sistemas públicos de abastecimento de água e energia, não sobrecarregam estes sistemas e podem funcionar de forma autônoma, mesmo diante de uma pane na rede pública”, justifica.

Integração das engenharias

Presente em todos os setores da economia, a sustentabilidade está inserida – e não haveria de ser diferente – em todos os campos da engenharia. Com a experiência de ter trabalhado durante cinco anos com projetos sustentáveis em metodologias de Certificação LEED®, Procel e AQUA nos empreendimentos do mercado imobiliário, o gerente de energia e sistemas prediais do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE), Eduardo Yamada, entende que existem, basicamente, quatro premissas básicas que devem ser consideradas no desenvolvimento de um projeto de engenharia:

(1) evitar e eliminar desperdícios;
(2) otimizar a eficiência dos sistemas;
(3) aproveitar os recursos naturais disponíveis;
(4) recuperar insumos e fontes.

A partir das premissas apresentadas ficam mais claras, para o engenheiro, quais as principais preocupações visando à sustentabilidade e à eficiência energética dos projetos. “No caso dos elétricos, analisando o primeiro princípio, “Evitar e eliminar desperdícios”, entendemos, por exemplo, porque o LEED® e o Procel impõem a aplicação de sistema de iluminação com desligamento automático em função da ocupação. Entendemos, também, porque o LEED® obriga a ter menos queda de tensão (perda de tensão ao longo da distribuição de energia) nos trechos de maior passagem de corrente (circuitos alimentadores), induzindo o projetista a criar subestações transformadoras próximas aos grandes centros de carga. E o mais interessante é que, analogamente aos exemplos dos projetos elétricos citados, podemos aplicar essa e as outras premissas nos demais projetos de sistemas prediais (ar condicionado, hidráulico, luminotécnico, elevadores, etc.)”, explica Yamada, que também é professor do curso de “Eficiência Energética nos Empreendimentos” organizado pela Poli-Integra e pela Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE).

Nesse sentido, os fornecedores de materiais para construção e instalação também estão atentos a colocar no mercado produtos com maior comprometimento ambiental, o que vem ajudando a baratear este tipo de edificação. Equipamentos com maior eficiência energética, produtos fabricados com materiais menos agressivos, reciclagens ou que emitem menos gases tóxicos quando queimados (como fios e cabos livres de halogênio) são exemplos de preocupações com o equilíbrio entre o desenvolvimento e a prudência com o meio ambiente.

Yamada sugere a implementação de soluções e especificações de sistemas e equipamentos com maior eficiência e rendimento possível, como lâmpadas com elevada eficiência luminosa (lm/W), luminárias eficientes com maior emissão de fluxo luminoso, motores elétricos de alto ou altíssimo rendimento (high ou premium efficiency), entre outras ações, que fazem parte da premissa “otimizar a eficiência energética”, mencionada anteriormente.

O engenheiro e mestre em eficiência energética, André Paro, coordenador da equipe de engenharia elétrica da Promon Engenharia, acrescenta que a escolha de equipamentos com selos de eficiência energética e de sistemas de controle de processo que levem em conta a economia de energia e menor pico de demanda são fundamentais nos projetos de hoje em dia.

Outra estratégia importante é usufruir dos recursos naturais disponíveis, implantando soluções que aproveitem fontes e recursos da natureza, reduzindo o consumo e a geração “artificial”, como: energia solar para aquecimento de água ou geração de energia elétrica por placas fotovoltaicas; a luz natural que ingressa nos ambientes para reduzir (dimerizar) a iluminação artificial das luminárias; a energia cinética dos ventos para geração elétrica (usinas eólicas); a geração de energia elétrica por fonte de calor solar através de turbinas a vapor (usinas solares); a energia geotérmica para gerar ou rejeitar calor; a energia mecânica de movimentação das ondas do mar para gerar elétrica, etc.

A quarta premissa, segundo o gerente do CTE, inclui soluções de sistemas que aproveitem a energia desperdiçada de outros sistemas ou equipamentos, reduzindo o consumo e a geração “artificial”, como sistema de recuperação de energia potencial e cinética da frenagem dos elevadores para a geração de energia elétrica; sistemas de cogeração com o aproveitamento de energia térmica dos geradores elétricos para geração de energia térmica de aquecimento ou resfriamento, entre outros. “Por conta disso, as soluções e as tecnologias que envolvam aproveitamento de recursos naturais serão cada vez mais demandadas e valorizadas no mercado. As demais soluções que envolvam as outras três premissas tenderão a se tornar obrigatórias, por imposição de normas e leis, num curto espaço de tempo, já sendo mandatória em vários países”, prevê.

O professor associado da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, José Aquiles Grimoni, dá exemplo de outras técnicas que podem ser referenciadas como fruto dessa nova mentalidade voltada para práticas sustentáveis. Segundo ele, o uso de conceitos como "análise de ciclo de vida", que avalia um sistema ou equipamento desde seu berço até a sua desativação ou disposição final, analisando os processo e seus rejeitos e custos associados, é uma tendência a ser incorporada no cotidiano do engenheiro. “Outro conceito está associado aos chamados ‘custos completos’, que levam em conta custos técnicos, econômicos, sociais e ambientais para comparar alternativas de solução de problemas ou de projetos”, aponta.

O engenheiro Carlos Zink, responsável por atividades ligadas à sustentabilidade da Promon Engenharia, comenta sobre a importância de o profissional ter uma bagagem mínima de conhecimento para julgar como suas decisões impactam o ecossistema (ambiental e social) do produto que está sendo concebido. “Ele deve ser capaz de identificar e tratar impactos durante todo seu ciclo de vida, do berço (extração de matéria prima) ao túmulo (destinação final / reciclo) e deve ser capaz de avaliar informações sobre desempenho do componente e condicionantes sociais envolvidos, como, por exemplo, esforço durante a instalação, modos de uso e hábitos de usuários”, afirma.

André Paro complementa ao afirmar que o conceito de reduzir, reutilizar e reciclar pode também ser aplicado à engenharia elétrica, principalmente quando se tem a chance de ajudar o cliente na definição de iniciativas que ajudarão ao longo do ciclo de vida da instalação, e não somente na economia de capital na implantação.

Se o engenheiro vai se acostumar a ter pensamentos sustentáveis e aplicá-los em seus projetos é praticamente uma questão de sobrevivência no mercado que se configura nos dias de hoje. Para Eduardo Yamada, o engenheiro precisa abrir a mente para a nova realidade de mercado. “O engenheiro precisa sair da zona de conforto e do comodismo, achando que projetos de sistemas prediais devem ser feitos para atender às necessidades dos clientes e às normas técnicas somente. Ele precisa ter discernimento e bom senso técnico na escolha e na especificação dos fornecedores, entender os conceitos de sustentabilidade e aplicá-los nos projetos”, avalia.

Infelizmente, o que ainda acontece é que cada projetista desenvolve de forma individual e desintegrada sua competência, focando somente nas disciplinas envolvidas. “No caso do desenvolvimento de um projeto sustentável, essa sinergia tem que acontecer, pois é com ela que se obtém os benefícios de forma sistêmica requeridos nas metodologias”, alerta.

Segundo ele, muitos projetos não levam em consideração os estudos da arquitetura de fachada (envoltória), que têm influência direta sobre os projetos de ar condicionado, elétricos, luminotécnicos e de automação predial. “Caso a envoltória seja ineficiente, especificando, por exemplo, muita área transparente (janelas) ou volumetria mal orientada, os sistemas de ar condicionado e de iluminação deverão possuir eficiências elevadas, que, por consequência, acarretarão altos investimentos de tecnologias de automação predial, com o objetivo de compensar o consumo energético elevado originado pela grande parcela de carga térmica de insolação. Além disso, o aumento da demanda do sistema de ar condicionado resultará em aumento de custo de equipamentos, dispositivos e infraestrutura dos sistemas elétricos.

Mudança de paradigmas

A construção civil está efetivamente começando a demonstrar que está se adequando cada vez mais aos conceitos de sustentabilidade. Principalmente, os mais jovens estão começando a exigir de seus fornecedores uma postura mais correta em relação ao meio ambiente, desenvolvendo um dos maiores desafios corporativos deste milênio: o consumo consciente.

No sentido de formação, as escolas de engenharia têm trabalhado para inserir o tema na grade curricular. “As universidades têm introduzido em várias disciplinas estes conceitos aplicados a projetos de engenharia e desenvolvido análises de estudos de casos de projetos reais considerando esta abordagem”, informa o professor Aquiles, da Politécnica da USP.

A preparação do engenheiro do futuro passa pela formação multidisciplinar, buscando compreender a atuação de demais disciplinas envolvidas no projeto. Paro, da Promon, diz que a ligação dos saberes entre as carreiras da engenharia (química, mecânica, civil, materiais, produção e outras) é fundamental para que o eletricista saiba antever o que de mais eficiente poderá ser oferecido nos sistemas que dependem da eletricidade. “Sendo assim, deve buscar, mesmo que de forma extracurricular, conhecimentos mínimos, como por exemplo, o conceito do “triple bottom line” da sustentabilidade (ambiental, social e econômico)”, aconselha.

A realização de projetos integrados garante menor retrabalho e desperdício em fases de execução da obra. “Contudo, existem alguns empecilhos que dificultam sua execução como a multiplicidade de ferramentas utilizadas pelas diferentes disciplinas de engenharia, a descentralização de informação e a necessidade de maior esforço de gerenciamento de informação e coordenação técnica do projeto. Modelos eletrônicos em sistemas 3D e 4D auxiliam muito nesta tarefa”, finaliza Carlos Zink.

Estímulos às construções verdes

Diante do novo contexto global, que está exigindo das empresas e dos profissionais mais consideração pelos fatores ambientais como medida de equilíbrio para suas ações, algumas medidas foram criadas por organizações institucionais e pelo governo com o propósito de incentivar a prática sustentável em construções.

Um exemplo disso é a certificação Leed para construção sustentável, que, criada pelo U.S. Green Building Council (USGBC), chegou ao Brasil em 2007, e completa, neste ano, cinco anos de atuação no País.

O gerente técnico do Green Building Brasil, Marcos Casado, explica em um de seus artigos que, para receber a certificação, o empreendimento deve atender pré-requisitos e recomendações que avaliam o tipo de terreno, a localização, a infraestrutura local, o uso racional de água, eficiência energética, qualidade do ar interno, reciclagem e diversas outras medidas que garantam eficiência operacional ao usuário e preservação do meio ambiente, antes, durante e após a obra. “Todos estes critérios começam a impulsionar e a transformar o mercado da construção civil e têm se tornado uma importante ferramenta educacional e de comunicação com o consumidor, além de criar parâmetros de qualidade para o mercado”, escreveu.

Há menos de 50 dias do fim do ano, o Green Building Council Brasil comemora o crescimento do setor que superou a meta projetada no ano passado. “Enquanto em 2011, 17 edifícios receberam a certificação LEED, esse ano o número já é de 32. Outros 620 estão registrados no sistema e receberão o selo se comprovarem o atendimento a critérios como: eficiência energética; uso racional de água; qualidade ambiental interna; uso de materiais, tecnologias e recursos ambientalmente corretas entre outras ações que minimizem os impactos ao meio ambiente”, informa a instituição.

Com esse avanço, o Brasil mantém a posição de quarta nação no ranking mundial de empreendimentos LEED, atrás apenas dos Estados Unidos, com um total de 40.262 construções sustentáveis, seguido pela China, com 869, e o Emirados Árabes Unidos, com 767.

Outro exemplo é o Programa Nacional de Eficiência Energética em Edificações (Procel Edifica), instituído em 2003 pela Eletrobras/Procel, e que atua de forma conjunta com o Ministério de Minas e Energia, o Ministério das Cidades, as universidades, os centros de pesquisa e entidades das áreas governamental, tecnológica, econômica e de desenvolvimento, além do setor da construção civil.

A proposta do Procel Edifica é justamente ampliar as ações do Procel de maneira a incentivar a conservação e o uso eficiente dos recursos naturais (água, luz, ventilação etc.) nas edificações, reduzindo os desperdícios e os impactos sobre o meio ambiente.

Um dos grandes atrativos para a obtenção das certificações é a percepção de que o meio ambiente pode ser um parceiro dos empreendedores. Isso porque, segundo o Sindicato da Habitação (Secovi), os gastos com água são a segunda maior despesa dos condomínios, acompanhada de energia elétrica, a terceira maior. Nos empreendimentos que seguem o sistema de certificação, o consumo de energia é 30% menor, há também redução de até 50% no consumo de água, de até 80% nos resíduos e uma valorização de 10% a 20% no preço de revenda, além de redução média de 9% no custo de operação do empreendimento durante toda a sua vida útil.

Na opinião de Eduardo Yamada, as metodologias irão sempre valorizar, no mínimo, o bom projeto, a boa compatibilização e integração dos sistemas e a boa operação predial dos empreendimentos. Ele explica que a metodologia LEED® é um exemplo claro de visão sistêmatica da sustentabilidade na construção civil e mercado imibiliário, englobando avaliação, tanto para novos empreendimentos (edifícios corporativos, residências, áreas comerciais, bairros, hospitais,etc.) desde a fase de projetos e construção, como na preocupação do tema durante a operação, como na preocupação do tema durante a operação predial. O Procel valoriza os projetos na questão de eficiência energética. E existem, também, outras metodologias já em implementação no Brasil, como o AQUA e BREEM, que são análogos ao LEED. "De qualquer maneira, todos elas têm um objetivo e foco comum que é valorizar os melhores projetos, promovendo a eficiência e sustentabilidade durante toda a vida útil do empreendimento", conclui.

As certificações também ajudam a criar demandas de mercado, que aceleram a adoção das boas práticas de sustentabilidade. “A gestão da imagem ligada à marca das empresas é algo muito sensível à opinião popular, e isto acelera o amadurecimento da sustentabilidade, como em um mecanismo de feed-back positivo”, lembra Paro.

Uma nova possibilidade que temos agora no Brasil é a da viabilização da autogeração de energia elétrica para atender ao seu próprio consumo ou exportar para a rede elétrica por meio de sistemas de micro (até 100 kW) e minigeração (de 100 kW a 1 MW) de energia elétrica. Lembrada pelo professor Aquiles, a resolução 482/2012 estabelece as condições gerais para o acesso da geração distribuída (próxima ao local de consumo) à rede elétrica convencional. As regras são válidas para geradores que utilizarem fontes incentivadas de energia: hídrica, solar, biomassa, eólica e cogeração qualificada.

Pelo sistema, a unidade geradora instalada em uma residência, por exemplo, produzirá energia e o que não for consumido será injetado no sistema da distribuidora, que utilizará o crédito para abater o consumo dos meses subsequentes.

A Aneel promoveu audiência pública para discutir o texto da Resolução para deixar mais claros os seguintes pontos: definição da natureza jurídica do sistema de compensação de energia elétrica; possibilidade de uso dos créditos em outras unidades consumidoras sob a mesma titularidade da unidade onde esteja instalada a micro ou minigeração distribuída; explicação da dispensa de assinatura de contratos de conexão e uso na qualidade de geração para as unidades consumidoras que aderirem ao sistema de compensação; esclarecimento quanto à definição do termo “tarifas de energia” e alterações textuais de modo a deixar mais clara a ordem de compensação dos créditos de energia ativa. Os resultados ainda não haviam sido publicados até o fechamento desta edição.

Com isso, chega-se à conclusão que, embora o século 20 tenha trazido grandes aparatos tecnológicos, esse desenvolvimento veio acompanhado por uma conseqüência ecológica desastrosa. O nosso desafio, nesse sentido, é conciliar o desenvolvimento tecnológico com a preservação dos recursos naturais, garantindo o progresso, mas com práticas sustentáveis. Fazendo mais com menos. 

FONTE: Voltimum